Com Jane Reis na vice, Paes constrói aliança que vai do PT a aliados de Bolsonaro no RJ
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Paes anuncia Jane Reis, irmã de Washington Reis, como sua candidata a vice para o Governo
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do estado, anunciou nesta quinta-feira (19) a escolha da advogada Jane Reis para ser candidata a vice em sua chapa.
Jane é irmã de Washington Reis, presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Duque de Caxias, principal reduto eleitoral da família na Baixada Fluminense.
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Washington Reis é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e foi secretário de Transportes do governador Cláudio Castro, do PL. Ele está inelegível por causa de uma condenação por crime ambiental e tenta reverter a situação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Sua irmã, Jane, foi candidata pelo MDB à prefeitura de Magé, na Baixada, e recebeu 5,92% dos votos. Evangélica, é casada com um pastor.
Paes anunciou também que deixará a prefeitura em 20 de março. A lei eleitoral exige que candidatos com mandatos de prefeito e governador renunciem até seis meses antes da eleição.
Eduardo Paes (PSD) e MDB anunciaram aliança na eleição para governador do RJ. Jane Reis será candidata a vice
Reprodução/TV Globo
Xadrez político e Baixada Fluminense
A escolha de Jane Reis é vista como um movimento de Paes para consolidar sua influência na Baixada Fluminense, região considerada o "fiel da balança" em eleições no RJ.
Até então, o nome mais cotado era o de Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, mas entraves partidários (a federação entre PP e União Brasil) dificultaram a viabilização de seu nome.
Além do peso político da família Reis, a escolha de Jane traz componentes simbólicos para a pré-campanha:
Representatividade: garante uma mulher na chapa majoritária.
Diálogo religioso: Jane tem boa entrada junto ao eleitorado evangélico, segmento onde Paes busca reduzir resistências.
Interiorização: aliança dá capilaridade ao PSD no estado, utilizando a estrutura de prefeitos e lideranças regionais do MDB.
Com a chegada do MDB, Paes amplia um arco de alianças que já conta com o apoio do PT de Lula e de setores da esquerda, atraindo agora uma ala que mantinha forte ligação com a família Bolsonaro no estado.
Com o novo desenho, a chapa de Paes tenta se posicionar como uma "frente ampla", unindo desde o centro-direita até a esquerda progressista na disputa pelo Palácio Guanabara.
Em 2018, Paes perdeu a eleição de governador do RJ para Wilson Witzel e ficou com 40,13% dos votos no 2º turno.
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a diferença foi maior: 68% a 32%. Em Nova Iguaçu, outro município central a região, Witzel venceu com quase 70% dos votos.
A família Reis, influente em Duque de Caxias, é aliada dos Bolsonaro. Em 2022, os irmãos fizeram campanha para Jair Bolsonaro
Reprodução/Instagram
Baleia Rossi presente para selar aliança
A aliança entre Paes e MDB foi selada em um evento com a presença do presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi.
O ex-presidente Michel Temer também era esperado para o anúncio, mas, segundo interlocutores, não conseguiu conciliar compromissos de agenda.
Por que o RJ pode ter duas eleições para governador em um ano
Temer foi um dos "homenageados" no desfile da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí, no enredo sobre a trajetória do presidente Lula — que também apoia a candidatura de Paes.
No desfile, o emedebista foi retratado por um ator roubando a faixa presidencial de Dilma Rousseff no carro abre alas da escola. A cena foi uma referência ao impeachment da ex-presidente, em 2016.